Banqueiros e agiotas<br> não se queixam
Um mar de ilusões e fantasias perpassou a intervenção do deputado do PSD Miguel Frasquilhe, procurando com isso justificar, por um lado, que a «dívida é sustentável» (afirmou-o preto no branco) e, por outro, que é descabido falar de renegociação a «um mês de acabar favoravelmente» o programa da troika.
Ouviu-se assim que o País «tem vindo a recuperar a confiança internacional», que os «juros são os mais baixos desde o segundo semestre de 2009» e «já são sustentáveis», que o «desemprego não subiu como previsto e até já desce», que o «investimento alterou tendência de queda». E que as «boas notícias» também sopram da Europa, como a de que a «união bancária está finalmente a avançar» e o «BCE parecer vir a ter uma política monetária mais activa».
Tratou-se, em suma, de uma versão actualizada da tese de que «País está muito melhor, os portugueses é que vivem pior». Com essa opinião ficou também o deputado comunista Miguel Tiago, que viu ainda nas afirmações do parlamentar do PSD a sugestiva imagem de quem está «todo contente por estar a poupar o ar que se respira apesar de a grande maioria estar a morrer asfixiada».
Mas para a recusa da maioria e do Governo em renegociar a dívida Miguel Tiago só encontra uma explicação: a de que as coisas, pelo lado dos banqueiros e agiotas, «estão a correr bem». Para esses, precisou, «não há problemas».
Recordado a este respeito por Miguel Tiago foi o facto de em 2010 o País ter 94% do PIB em dívida pública – 4900 milhões de euros em juros – e de em 2014 ter 130% de dívida pública – 7300 milhões de euros de juros.
E fez notar que são mesmo alguns «fundos» que investem na própria dívida pública portuguesa a reconhecer a insustentabilidade deste curso.
Mas a razão primeira que o comprova é a própria vida dos portugueses, observou Miguel Tiago, sublinhando que a recusa dos partidos da maioria em renegociar a dívida lhes dá a responsabilidade de explicar, então, como é que tencionam pagar os juros e uma dívida que não pára de crescer.
Instados em vários momentos do debate a esclarecer essa questão nodal, a esse repto não responderam as bancadas da maioria. Ficaram-se por «promessas do céu» e por diabolizar as propostas do PCP.